Quero homenagear minha mãe neste mês de maio dizendo o quanto eu a amo e admiro pelo exemplo de ser humano que ela é e pelo quanto nos ensinou a ser pessoas de bem, honestas, pessoas de princípio. Ao lado de papai, ela dedicou sua vida à família, criando os filhos e sendo para o meu pai e para nós o porto seguro onde certamente encontramos apoio, força, generosidade, afeto. Sempre foi uma mulher de fibra e suas palavras sempre foram ouvidas e acatadas por papai.
Lembro-me de quando ainda morávamos em Ribeirão Grande e, numa de nossas plantações de tomate, perdemos tudo. Nossos tios que já moravam em Sorocaba sugeriram que viéssemos também tentar a vida na cidade. Papai e mamãe conversaram e decidiram que mandariam meu irmão mais velho, Carlos, na frente. Ele moraria com meu tio e, quando já estivesse empregado, viríamos todos nós para a cidade grande.
Nesse intervalo, papai conseguiu um empréstimo para plantar uma nova safra e, nesta, ele ganhou dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas e ainda sobrou para continuarmos plantando. Papai sugeriu, então, que ficássemos na roça, que continuássemos plantando e colhendo e vivendo a vida que tínhamos. Homem nascido e criado no campo, lidando com a terra, talvez ele se sentisse inseguro em mudar de vida de maneira tão profunda. Mas mamãe fez pé firme e não aceitou. Disse que não queria mais aquela vida incerta em que um ano se ganhava e no outro perdia-se tudo. Argumentou sobre as possibilidades de trabalho que os filhos teriam na cidade e que no campo jamais poderiam fazer algo que não fosse lidar com a terra. Na cidade, poderiam estudar, ser alguém na vida! Papai não teve argumentos que convencessem a família a ficar no campo e foi assim, graças as palavras de mamãe que nos construímos as pessoas que somos hoje.
Tenho orgulho de minha origem e tenho orgulho de mamãe e de sua força na condução desta família numerosa que eu tanto amo.

